CORONAVÍRUS: SEU EGOÍSMO PODE MATAR

Foto: Victor Moriyama/Getty Images

Andrew Fishman
14 de Março de 2020, 12h30

Este texto foi publicado originalmente na newsletter do Intercept Brasil. Assine. É de graça, todos os sábados, na sua caixa de e-mails.Assine nossa newsletterConteúdo exclusivo. Direto na sua caixa de entrada.Eu topo

É UM CRIME gritar “fogo!” num teatro cheio. O resultado é criar um pânico em que pessoas inocentes – particularmente as mais vulneráveis – podem ser pisoteadas e mortas. Mas também deveria ser um crime gritar “está tudo ok, fiquem sentados e assistam à peça!” num teatro que está sendo consumido por chamas. As pessoas precisam saber do risco, levantar e caminhar com calma – mas rapidamente – para a saída.

Na pandemia de coronavírus que está se espalhando pelo mundo, estamos vendo respostas de todos os tipos. Sim, temos casos de pessoas irracionalmente empilhando papel higiênico. Mas, ao meu ver, a resposta ainda mais comum e perigosa é a negação do forte cheiro de fumaça que já podemos sentir. O teatro está, sim, em chamas.

O balanço entre pânico e inércia é difícil de acertar, pois nunca vivemos uma situação assim na era contemporânea. Mas o importante é que todo mundo reconheça: desta vez não é como nas últimas vezes. Não é dengue, nem H1N1, nem febre amarela, e precisamos estar dispostos a mudar radicalmente nossos modos de vida – e talvez até o jeito que pensamos sobre a sociedade em que vivemos. E a razão, provavelmente, não é para proteger a si mesmo, mas para ajudar a sociedade como um todo e as pessoas mais frágeis e expostas. É hora de pensar nos outros de fato.

Em momentos de crise, as fissuras sociais e o caráter de todos nós são acentuados. Vivemos em tempos de extremo capitalismo em que os Guedes, Temers e Trumps querem sucatear os serviços sociais e glorificar a privatização e o livre mercado – mas, concordando com eles ou não, o individualismo que é a base do nosso sistema socioeconômico já impregnou a consciência de todos nós. Vamos ter que repensar isso agora.

É socialmente irresponsável – uma negligência absurda – dizer e pensar “isso não vai me afetar”, “eu não vou mudar a minha vida por causa disso” ou “não faço parte de grupos de alto risco, então estou de boas”. É responsabilidade de todos levantar nossas vozes quando vemos esse tipo de discurso e corrigi-lo. Do mesmo jeito que ficar calado quando presenciamos racismo, sexismo, classismo e fascismo é compactuar com estes comportamentos, fechar os olhos para esse tipo de individualismo agora também é contribuir para sua existência.Todo mundo que tem salário, trabalho que pode ser feito remotamente, que vive em uma casa confortável e carro é privilegiado.

Um exemplo horrível disso foi relatado na coluna do Lauro Jardim sobre o primeiro caso de transmissão local do novo coronavírus no Rio de Janeiro. Um “empresário” e sua esposa foram infectados e se colocaram em quarentena no seu apartamento no em São Conrado, bairro de classe alta da zona sul. “A empregada do casal, cujo exame deu negativo, está trabalhando de avental, luvas e máscara”, revelou a coluna.

Este casal exigiu que a empregada arrisque a vida dela e de sua família para trabalhar num ambiente infectado, usando medidas de prevenção que não impedem a transmissão. Se eles próprios não estivessem doentes, você acha que aceitariam trabalhar em um ambiente cheio de pessoas infectadas? Ou isso só é aceitável para as pessoas que os servem? Se a empregada ou alguém que mora com ela estivesse doente, eles manteriam ela trabalhando? Deixariam seus filhos fazerem isso? Será que a empregada realmente pôde fazer uma escolha livre ou estava preocupada com a possibilidade de perder o emprego caso se recusasse a servir o casal doente?

Todo mundo que tem um salário, que tem uma poupança, que tem um trabalho que pode ser feito remotamente, que vive em uma casa que comporta confortavelmente seus moradores, que tem um carro para não precisar usar transporte público – essas pessoas são privilegiadas neste cenário. Não por acaso, provavelmente são os mais privilegiados na sociedade também.

Enquanto escrevo isso, 126 mil pessoas foram confirmadas com o novo coronavírus no mundo (e muito mais gente assintomática está andando nas ruas sem perceber que precisa de um teste), incluindo 151 casos no Brasil. O número por aqui vai aumentar dramaticamente nos próximos dias e a pressão no sistema de saúde também. O único método que temos para conter os estragos e as mortes é a conscientização e a pressão para que os líderes de governos, empresas e movimentos sociais façam de tudo para as pessoas ficarem em casa e reduzirem seu contato social – e isso é algo que todos nós podemos fazer.

Após o secretário de comunicação Fábio Wajngarten testar positivo para o novo coronavírus, foi muito correto que sua mulher retirasse seus filhos da escola e avisasse as outras mães do colégio. Por outro lado, foi extremamente irresponsável da parte de Bolsonaro, que viajou com Wajngarten e mais três pessoas que mostravam sintomas (como nós contamos aqui), parar em frente ao Palácio da Alvorada para apertar as mãos de apoiadores e tirar selfies com eles.

Mas, depois que a ficha caiu – quando bateu o medo de estar infectado –, Bolsonaro se submeteu a exames e fez sua live semanal no Facebook, ao lado do Ministro de Saúde, com máscaras e álcool em gel. Finalmente falou em medidas de prevenção de transmissão. Antes, o presidente havia se espelhado na negação de realidade do seu ídolo Donald Trump, chamando a reação ao novo coronavírus de “exagerada” e a pandemia de “uma fantasia”.

Mas o comportamento do Bolsonaro é o da maioria das pessoas, na verdade: ele prefere viver negando os fatos até que alguém próximo ou ele mesmo tenha contato com o vírus. O problema é que se todo mundo espera para ter contato com o vírus para tomar medidas preventivas, elas já não serão mais preventivas. Já era. Seria o equivalente a só começar a usar camisinha depois de ficar grávida.

A Organização Mundial da Saúde declarou na sexta-feira que a Europa agora é o epicentro do vírus, e não a Ásia. Isso porque a China foi muito eficaz e organizada em suas medidas de contenção, e a Coreia do Sul também reagiu rapidamente para providenciar muitos testes e identificar casos logo, antes que a doença se espalhasse ainda mais. Japão, Taiwan, Singapura, Tailândia e Hong Kong foram ainda mais preparados.

Esses países asiáticos, devemos lembrar, foram muito afetados pela Síndrome Aguda Respiratória Grave, a Sars, em 2003. Por isso, se prepararam para a próxima crise. Em comparação, europeus e americanos estão sendo extremamente lentos na tomada de medidas percebidas como “drásticas”. Os governos não queriam assustar os mercados financeiros, e os indivíduos não queriam acreditar que esse problema os envolvia. Agora, todos estão correndo atrás de novos testes e fechando escritórios, escolas, espaços públicos e, em alguns casos, até cidades inteiras. Tudo isso só depois que perceberam que estavam perdendo o controle. Parece o mesmo erro do Brasil agora.

Uma boa reportagem do BuzzFeed News nos EUA explica, com jeito de anedota, que as pessoas mais velhas, muitas vezes, são as mais propensas a negar os riscos de adoecer e a se recusar a mudar seus hábitos, mesmo que sejam também quem corre mais risco. Isso, explica a matéria, pode acontecer porque elas não querem se enxergar como “velhas” – mas é a obrigação dos mais jovens abrir os olhos delas sem assustá-las.

Então, o que você pode fazer para combater o novo coronavírus?

1. Insista que sua empresa ou escola tome medidas para prevenir o contato social;
2. Pense e exija que essas medidas também protejam as pessoas mais expostas, como seguranças, faxineiros e prestadores de serviços terceirizados;
3. Pare de ir a eventos e espaços cheios;
4. Pratique boa higiene;
5. Fique em casa por até 14 dias se você teve contato com alguém suspeito de ter coronavírus ou se você tem sintomas;
6. Só vá para o hospital se tiver sintomas graves ou tiver tido contato com alguém infectado;
7. Pare de apertar a mão e dar beijos de cumprimento nas pessoas;
8. Corrija todo mundo ao seu redor que não fizer isso.

Mas qual é o efeito de tudo isso? O vírus vai se espalhar de qualquer forma, né? Vai, mas olha esse gráfico que mostra a taxa de mortalidade pelo surto de gripe espanhola de 1918 em duas cidades dos EUA. Saint Louis imediatamente fechou todos os espaços públicos após descobrir que a doença tinha chegado. Enquanto isso, a Filadélfia decidiu realizar uma grande festa de rua. Veja a diferença das taxas de mortalidade:

dr-graph-1584135559

Gráfico: Proceedings of the National Academy of Sciences

O outro efeito é limitar a pressão sobre o sistema de saúde. Veja esse gráfico tuitado por Max Roser:Max Roser@MaxCRoser · Respondendo a @MaxCRoser

5/ I don’t think it will necessarily be terrible.

It is up to us right now.

We’ve been successful in making progress against terrible problems.

The way forward is to take problems seriously, study them, and do what is right.

My view:https://ourworldindata.org/a-history-of-global-living-conditions-in-5-charts …The short history of global living conditions and why it matters that we know itWe are working on Our World in Data to provide ‘Research and data to make progress against the world’s largest problems’.ourworldindata.orgMax Roser@MaxCRoser

6/ Early in an outbreak, containment is key.

Slowing the rate of infection means that the number of people who are sick at the *same time* does not exceed the capacity of the health system.

[I wish more people understood the intention of containment.]

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5.212Informações e privacidade no Twitter Ads2.113 pessoas estão falando sobre isso

Numa cidade como a Filadélfia em 1918, o sistema simplesmente não conseguiu tratar todos os casos graves, porque, além de o número ser maior, eles chegaram como uma inundação, todos ao mesmo tempo. O mesmo vale para a situação de agora: mais pessoas podem morrer desnecessariamente por falta de atendimento se muitas ficarem doentes num mesmo período.

Estamos juntos nisso, goste você ou não. Isso significa que uma manifestação em memória de Marielle precisa ser (e foi) cancelada, assim como o ato pró-Bolsonaro (que também foi), porque o vírus pode começar se espalhando nesses eventos – e, depois, ele não reconhece lado político. Agora temos um inimigo maior em comum.ANTES QUE VOCÊ SAIA… Quando Jair Bolsonaro foi eleito, sabíamos que seria preciso ampliar nossa cobertura, fazer reportagens ainda mais contundentes e financiar investigações mais profundas. Essa foi a missão que abraçamos com o objetivo de enfrentar esse período marcado por constantes ameaças à liberdade de imprensa e à democracia. Para isso, fizemos um chamado aos nossos leitores e a resposta foi imediata. Se você acompanha a cobertura do TIB, sabe o que conseguimos publicar graças à incrível generosidade de mais de 11 mil apoiadores. Sem a ajuda deles não teríamos investigado o governo ou exposto a corrupção do judiciário. Quantas práticas ilegais, injustas e violentas permaneceriam ocultas sem o trabalho dos nossos jornalistas? Este é um agradecimento à comunidade do Intercept Brasil e um convite para que você se junte a ela hoje. Seu apoio é muito importante neste momento crítico. Nós precisamos fazer ainda mais e prometemos não te decepcionar.

Fonte: The Intercept Brasil

https://theintercept.com/2020/03/14/coronavirus-salvar-vidas-bolsonaro-trump/

Água mineral em lata.

O Grupo empresarial Edson Queiroz, detentor da marca Minalba acaba de anunciar o lançamento da primeira aguá mineral em lata do Brasil.
A empresa destaca a sustentabilidade do produto em função da possibilidade de reciclagem infinita do produto com uma taxa de reciclagem da ordem de 97,3%.
A água vira da fonte de Campos do Jordão – SP com denominação de origem, e em embalagens de 310 ml.
Parabéns pela iniciativa. A saber a receptividade do mercado em função do, possível, preço mais elevado.

Morreu Jack Welch, ex-CEO da GE.

https://edition.cnn.com/2020/03/02/business/jack-welch-obituary/index.html

Nova York (CNN Business)Jack Welch, que liderou a General Electric durante 20 anos de seu maior sucesso financeiro, morreu. Ele tinha 84 anos.Welch tornou-se CEO da GE em 1981 e liderou-a até sua aposentadoria em 2001.”Hoje é um dia triste para toda a família GE”, disse o CEO da GE, Larry Culp, em comunicado. “Jack era maior que a vida e o coração da GE por meio século. Ele reformulou a face da nossa empresa e do mundo dos negócios. Jack foi uma influência forte e constante ao longo da minha carreira, apesar de nunca ter trabalhado diretamente para ele”.Welch, que foi nomeado ” Gerente do Século ” pela revista Fortune em 1999, aumentou enormemente o escopo e o poder financeiro da GE ( GE ) durante seu tempo no topo da empresa. O valor de mercado das ações subiu de US $ 14 bilhões para mais de US $ 400 bilhões, um aumento de mais de 2.700%, durante esses 20 anos.”Ele tinha um tremendo foco no valor para os acionistas”, disse Jeff Sonnenfeld, professor de negócios de Yale, fundador e presidente do Chief Executive Leadership Institute, que ensinou Welch no início dos anos 80.Sonnenfeld observou que Welch também empurrou a GE para novas linhas de negócios, com resultados variados. Por exemplo, Welch presidiu a aquisição da RCA, proprietária da NBC, em 1986, pela GE. A GE vendeu o negócio para a Comcast ( CMCSA ) em 2013.E sob Welch, a GE investiu de cabeça em serviços financeiros, criando um dos maiores bancos do mundo. No entanto, a GE Capital implodiu durante a crise financeira de 2008, quase trazendo o resto da GE com ela.”Isso forneceu um pote de biscoitos. Mas foi uma diversão com a qual muitos gigantes industriais europeus não se distraíram”, disse Sonnenfeld.Welch se tornou o principal defensor da teoria dos negócios conhecida como ” Six Sigma “, o esforço para melhorar constantemente a maneira como os negócios são conduzidos em uma empresa.E, segundo sua teoria, qualquer unidade de negócios que não fosse a líder ou a número 2 em seu mercado deveria ser consertada, vendida ou fechada. E também pedia que os gerentes da empresa fossem classificados e os da parte inferior do ranking fossem soltos.Seguindo essas regras, Welch ficou conhecido como “Neutron Jack”, pois abandonou as divisões e os gerentes individuais que, acreditava, não estavam apresentando desempenho suficiente. Em seu primeiro ano como CEO em 1981, ele vendeu cerca de 100 empresas, disse Sonnenfeld.Donald J. Trump✔@realDonaldTrump

Jack Welch, former Chairman and CEO of GE, a business legend, has died. There was no corporate leader like “neutron” Jack. He was my friend and supporter. We made wonderful deals together. He will never be forgotten. My warmest sympathies to his wonderful wife & family!64.2KTwitter Ads info and privacy16.4K people are talking about thisA primeira coisa que ele fez foi reverter o que foi o maior negócio da história da GE, sua fusão de US $ 2 bilhões com a mineradora Utah International em 1976, disse Sonnenfeld. Foi a maior fusão do país na época.Welch também teve seus críticos enquanto era CEO, que acusou a GE de manipular ou gerenciar seus ganhos para suavizar os resultados , momento em que certos ganhos ou perdas podem ser relatados. Durante todo o tempo em que Welch assumiu o cargo de CEO, a GE relatou nada além de um crescimento constante dos lucros que atendeu ou superou as previsões, mesmo quando fatores econômicos externos criaram resultados muito mais desiguais para seus concorrentes.A GE acabou enfrentando acusações da Comissão de Valores Mobiliários em 2009 de que ela manipulava incorretamente os resultados. Ele acertou essas acusações, pagando uma multa de US $ 50 milhões . Mas não admitiu irregularidades, e os resultados incluídos no acordo foram relatados depois que Welch deixou a empresa.Em 2012, Welch acusou o Departamento do Trabalho de manipulação semelhante, dizendo que havia aumentado o número do relatório oficial de empregos logo antes das eleições presidenciais de 2012 para ajudar as chances de reeleição do presidente Barack Obama. Ele foi amplamente criticado pela acusação, pela qual ele admitiu que não tinha nenhuma evidência firme além de dúvidas sobre o número de empregos relatado.

Dentro da busca para salvar a GEA GE lutou bastante nos últimos anos, pois abandonou muitas das unidades que Welch havia criado e fez cortes profundos em seu quadro de funcionários, que caiu mais de 100.000 nos últimos dois anos.O preço das ações, uma vez premiado, tornou-se um retardatário, com a empresa cortando seu dividendo para um centavo por ação. Mas os cortes profundos que Culp fez ajudaram a mudar as ações nos últimos meses antes da recente correção do mercado.

Fonte: CNN

Mestrado gratuito e com bolsa no IPHAN


O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) esta com inscrições abertas até o dia 02/03 para o seu mestrado profissional em Preservação do Patrimônio Cultural. São 10 vagas com direito a bolsa de R$1.500,00.

Poderão se inscrever nas vagas profissionais com formação em nível superior, inclusive do curso de Administração.

Previsão do início dos curso é em agosto de 2020.
Veja o edital e candidate-se:

http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Edital%20de%20Sele%C3%A7%C3%A3o%20de%20Alunos%20Bolsistas%20do%20Mestrado%20Profissional%202020(4).pdf

Concurso com vaga para administrador – UFF

A Universidade federal Fluminense lançou edital para concurso com vagas para Administrador, entre outras profissões, em várias cidades:
Niterói
Angra dos Reis
Santo Antonio de Pádua

As inscrições estarão abertas no período entre 03 e 31 de março.
Uma alternativa para se colocar na agenda para quem precisa de colocação.

Edital em:


http://www.coseac.uff.br/concursos/uff/2020/pdf/UFF-Edital-337-2019-Edital.pdf