Conheça os prós e contras da carreira nesses dois setores

Para fazer uma escolha assertiva, profissional precisa avaliar os lados positivos e negativos de cada um

Uma das maiores dúvidas dos estudantes de graduação com relação a carreira é: trabalhar na área pública ou privada? Perdidos entre esses dois caminhos, muitos fazem uma escolha sem pensar nas consequências. Mas, afinal, como tomar uma decisão mais assertiva nessa situação?

Segundo o administrador Antônio Yared Lima, esses são dois mundos completamente diferentes. “A decisão depende muito do perfil do profissional, do ambiente onde ele vive e as relações familiares, por exemplo se a família já tem empresas. Esse fato terá grande influência na decisão”, explica.

Antônio conta que veio de uma família empreendedora e, logo após finalizar a graduação em Administração, sonhava em atuar em uma grande empresa e aplicar todos os conhecimentos adquiridos no curso. Fazer carreira no serviço público não estava nos planos do administrador. De acordo com ele, na década de 1990 o setor sofria com escândalos de corrupção, hiperinflação, impeachment, entre outros.

Contudo, com a falta de oportunidades na iniciativa privada, ele decidiu dar uma chance a carreira pública e fez um concurso. Hoje, Antônio é analista em Planejamento e Orçamento do Governo do Amapá. “Desde então, sempre me dediquei, procurei inovar e implantar as ferramentas e técnicas da Administração”, afirma.

Rafael Rocha fez o caminho contrário. Começou a carreira como empregado público, mas o emprego estável em um banco não lhe trazia satisfação pessoal. Decidiu, então, sair para se dedicar ao seu sonho de propagar e difundir a mentalidade empreendedora no Brasil. Ele criou um programa que ajuda outros empreendedores a aumentar o alcance dos negócios por meio do marketing de conteúdo.

Atualmente, Rafael é infoprodutor e mentor de mentor de empreendedores. Ele acredita que o empreendedorismo é a chave para uma vida completa e extraordinária. “O ser humano é co-criador da natureza. Fora do empreendedorismo não passamos de animais domesticados”, afirma.

Prós e contras

Antônio diz que a grande vantagem do serviço público é a remuneração salarial, que é maior em torno de 30%. Outra vantagem, segundo ele, é a estabilidade no emprego uma vez que, no Brasil, as avaliações de desempenho não possuem o mesmo rigor para o desligamento quanto no setor privado.

“Por outro lado, a desvantagem da área pública é que não há a possibilidade de ganhos extras como bônus por produtividade, bônus por alcance de metas individuais e coletivas, participação nos lucros e outros benefícios que o setor privado concede”, comenta.

O administrador diz, ainda, que a iniciativa privada, além dos benefícios de reconhecimento e recompensa por meritocracia, o setor “possibilita ao profissional mais liberdade de atuação e aplicação da sua criatividade devido ao alto grau de competitividade nos ambientes interno e externo, ou seja, o mercado”, explica.

Por onde começar?

Tanto no serviço público quanto no privado, o profissional precisa estar ciente de que enfrentará muitos desafios. Os avanços tecnológicos, as mudanças sociais, a Revolução 4.0 e a rapidez das transformações mundiais tornam o ambiente de trabalho mais vulnerável, incerto, complexo e ambíguo.

“Se desejar ingressar no setor público, inevitavelmente, esse profissional deve se preparar/estar preparado para prestar um concurso público, já que a lei restringe o ingresso sem a devida seleção legal”, ensina Antônio.

Mas se o foco é a área privada, o caminho a ser trilhado é outro. De acordo com o administrador, a rotina também exige estudo e atualização constante. “Para ter destaque, é necessário conhecer o máximo sobre sua área de atuação, bem como a organização em que atua. Dessa maneira, é possível ampliar a visão de mundo, melhorar sua comunicação, além de dominar as qualificações da profissão. O conhecimento é o maior diferencial competitivo na era da informação. De 120%, saiba escutar, organize-se e tenha uma postura positiva”, diz o diretor do Conselho Regional de Administração do Amapá (CRA-AP).

Antônio continua com um pé na área privada. O administrador é especialista em gestão empresarial, empresário e consultor de empresas. Com experiência nos dois setores, ele avalia: “Sem dúvida, o setor privado é bem mais desafiador devido à dinâmica do mercado, a competitividade entre as pessoas e o acirramento da disputa entre as empresas. No setor privado, é necessário muito mais esforço para alcançar as metas e as cobranças são maiores”, finaliza.

Fonte: Assessoria de Comunicação do CFA
Ana Graciele Gonçalves
Publicado no site do Conselho Federal de Administração

CORRUPÇÃO: O DIABO PODE NÃO SER TÃO FEIO QUANTO O PINTAM

Outro dia, numa conversa com uma pessoa pela qual tenho enorme apreço ele me disse: “o maior problema do Brasil é a corrupção”. Inicialmente, dada à efetividade da, digamos, ideológica propaganda difundida de forma maciça e a quatro cantos pelo sistema capitalista e pela mídia por ele sustentada, somos tentados a crer na assertiva como verdade absoluta sem questioná-la, por um segundo sequer. Ocorre, entretanto, como no dito popular, “o buraco é mais em baixo”. Que fique claro, desde logo, que nossa intenção não é perfumar ou glorificar a corrupção. Ela é, sem sombra de dúvida, uma mazela perversa que traz consequências terríveis para a sociedade brasileira, quase que exclusivamente para a parcela mais pobre, que sofre na pele as omissões do estado que dela decorrem.

O Brasil é sem dúvida um país com grande número de corruptos, sim, é verdade e ela foi posta à mostra num movimento jurídico/político que começou com a Operação Lava Jato, cujo mérito foi trazer à tona práticas criminosas longevas e que quase a totalidade dos partidos políticos do Brasil estava metida até o pescoço, com exceção, salvo engano, do PSOL, PSTU e PCO. Os grandes partidos, todos eles foram citados, sem exceção. Lamentavelmente, o remédio da lava Jato foi em dose alta demais, a operação talvez tenha extrapolado no tempo e o que era remédio passou a ser veneno. Houve uma quebradeira das grandes empresas da engenharia nacional e com ela milhares de postos de trabalho viraram pó, tributos deixaram de ser recolhidos e divisas para o Brasil deixaram de entrar, neste caso porque as grandes empresas nacionais também eram grandes no exterior. Um detalhe crucial não foi observado: havia que se punir as pessoas, mas sem destruir as empresas. A vaidade extrema dos procuradores responsáveis pela condução dos procedimentos fez da Operação tanto palco como espelho, ora para se exibirem publicamente, sempre de forma superlativa, ora para admirarem a si mesmos, como foi o caso do procurador Dalagnol, que chegou ao ponto de enviar mensagens a si mesmo (isso mesmo, ele se comunicava com ele mesmo), possivelmente a forma encontrada de materializar suas reflexões com seu alter ego e lustrar seu exacerbado narcisismo.

Voltando ao nosso tema corrupção, caso o Brasil não tivesse 6.329 favelas, que impõem mais de 11 milhões de pessoas a condições extremamente precárias de moradia, onde se inclui, entre outras precariedades, a precariedade na educação, a falta absoluta de água tratada e zero de saneamento, estaria ela num patamar hierarquicamente superior, mas não é o caso. Com efeito, vale lembrar que só no Rio de Janeiro existem 763 favelas, ou seja, 22% da população da Cidade Maravilhosa, segundo dados do IBGE obtidos no censo de 2010. Destaque-se que o censo do IBGE é a tomografia do estado brasileiro, pois nele os tumores são detectados. Lamentavelmente o atual governo deu ao censo tratamento de segunda classe. Sem fugir do tema, mas apenas com o intuito de inserir um dado a mais no contexto, o ministro de economia Paulo Guedes disse em entrevista sobre o censo, à Globo News, que “O Brasil é um país pobre e faz 360 perguntas. Custa muito caro e tem muita coisa do nosso ponto de vista (do governo federal) que não é tão importante”. Pois bem, além de tentar desqualificar um valioso instrumento que visualiza com precisão o estado brasileiro, que por sua vez assegura a adoção de políticas públicas adequadas e justas, também mostrou desconhecer o formato do censo. O censo brasileiro tem 150 questões. Errou o ministro na forma e no conteúdo. Mas isso não é à toa, claro.

Além das favelas, que nesta hierarquia já coloca a corrupção em segundo lugar, há, também, o grave problema da saúde pública, que a empurra para o terceiro lugar. Se considerarmos a capacidade de entrega que os entes federativos têm do bem entendido com saúde, direito fundamental inserto na Constituição, a capacidade instalada de equipamentos para atendimento das pessoas pobres e da classe média, que se encontra numa descendente de empobrecimento, não dá conta de uma demanda que cresce a cada dia. Neste sentido, segundo estudos realizados, neste momento de plena transição demográfica brasileira, motivada pelo acelerado crescimento em razão do declínio da mortalidade e taxa de fecundidade horizontalizada em patamares altos, entre 1999 e 2009, a população cresceu em mais 27,5 milhões de habitantes com redução de 26,7% dos leitos e 947 mil internações com distorções na distribuição por clínicas.

No município do Rio de Janeiro, segundo levantamento realizado pela Comissão de Saúde da Câmara dos Vereadores, em matéria publicada no G1, mostrou que, em um ano, a capacidade de atendimento da rede de saúde da família do Rio caiu 17%. A cobertura desta modalidade de atendimento na cidade, segundo o estudo, caiu de 70% para 53%. Na Rocinha, maior favela da cidade do Rio de Janeiro, com cem mil habitantes, segundo o censo das favelas realizado pelo governo do estado, houve redução no número de profissionais que atendem os moradores nas três clínicas da família existentes.

Não bastassem as mazelas da precariedade de moradia e saúde, há o gravíssimo problema da violência, tema que, devido à grandeza e complexidade, trataremos num outro momento.

Apenas considerando esses três problemas a corrupção se situaria em quarto lugar na hierarquia dos males que assolam a sociedade brasileira. Ora, por que então há uma tendência em ascender a corrupção ao primeiro lugar das mazelas nacionais? Tal qual a religião, que tem um papel de relevada importância para o estado no controle das massas, a massificada informação de que a corrupção é o mal maior do Estado cria uma cortina de fumaça para outros problemas, e permite avanços de uma agenda normalmente contrária aos interesses do grosso da população mais pobre.

A informação, geralmente apresentada com todos os requintes da psicologia aplicada ao marketing, com imagens, cores, vozes e expressões faciais dos apresentadores cumprem eficazmente o papel de inserir a corrupção no topo da “cadeia alimentar”. Incutida no subconsciente das pessoas, a mensagem se propaga a ponto de cegar e ensurdecer as pessoas para as grandes mazelas e deixar o caminho livre para, a pretexto do combate à corrupção, a implantação da agenda liberal e derrubada dos direitos da classe trabalhadora.

Sedimentada a “verdade”, propício o ambiente para deposição de uma presidente eleita sob o frágil argumento legal de cometimento de crime de responsabilidade. A questão era política, convenhamos.

Deposto o governo, aprovou-se a reforma trabalhista que fragilizou ao limite máximo as relações de trabalho, derrubou conquista que levaram décadas e décadas para serem conquistadas pelos trabalhadores, sem prejuízo de amputar as pernas do único instrumento de luta e representatividade dos trabalhadores: os sindicatos. A única forma de financiamento dessas entidades foi simplesmente extirpada. Sem dinheiro, sem sindicatos; sem sindicatos, sem voz e sem direitos.

Vencida a etapa da reforma trabalhista, cujo objetivo era de criar um modelo econômico todo voltado para o capital e habilmente conduzida pelo presidente da câmara Rodrigo Maia, avançou-se em direção à reforma previdenciária, que embora combatida ao limite da exaustão pelos representantes dos trabalhadores na câmara e no senado, por associações de trabalhadores e sindicatos, inclua-se o sindicato dos auditores fiscais da receita federal, SINSFISCO, e a associação dos magistrados da justiça do trabalho, ANAMATRA, a reforma foi aprovada e sonho da aposentadoria para os mais pobres passou a ser praticamente inalcançável, tendo em vista ser o Brasil um país com enorme nível de informalidade nas relações de trabalho, o que dificulta comprovação das contribuições mínimas necessárias para aposentadoria.

Mesmo aprovada a reforma, ainda assim o tema corrupção deveria continuar no radar do establishment, pois a agenda liberal necessitava avançar ainda mais e os holofotes se voltaram para as reformas administrativa (leia-se corte de benefícios e perseguição aos empregados e servidores públicos), tributária e política.

No curso do processo de avanço havia um evento político da maior importância: as eleições majoritárias para a presidência da república, da câmara dos deputados e do senado. O candidato representante das classes populares surfava imbatível nas pesquisas e, para a garantia do sucesso da agenda liberal, deveria ser batido a qualquer custo. A Operação Lava Jato foi um valioso instrumento nessa tarefa, onde, inclusive, além da cobertura maciça da mídia sobre os procuradores, das prisões espetaculares da polícia federal, surgiu um juiz federal de Curitiba que serviu aos desígnios do  establishment e logo alçado à condição de herói nacional. Portanto, tarefa cumprida, a marcha do liberalismo estava madura para seguir seu rumo. Ressalte-se que tempos depois a atuação do juiz, a essa altura a serviço do governo que ajudara a eleger, teve sua atuação questionada pela imprensa sob o forte argumento da parcialidade nos julgamentos, maior pecado que pode ser cometido pelo poder judiciário.

Outro problema extremamente grave que assola o cotidiano da sociedade brasileira é a violência (inclusive a policial), a qual, pela grandeza e complexidade, será objeto de artigo independente. No entanto, segundo nossa hierarquia, já empurra para um patamar ainda mais abaixo o tema corrupção.

O diabo da corrupção é feio, sim, mas a depender do poder de turno é mais feio do que é pintado..

Adm Reginaldo Oliveira é Conselheiro do CRA-RJ e Diretor do SINAERJ

Lava Jato atingiu membros de 33 partidos; duas siglas não foram implicadas

https://istoe.com.br/183856_IBGE+6+DA+POPULACAO+BRASILEIRA+MORA+EM+FAVELAS/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Favelas_na_cidade_do_Rio_de_Janeiro

https://reinaldoazevedo.blogosfera.uol.com.br/2019/09/04/o-postulante-ao-senado-que-se-compara-a-cristo-e-julga-ouvir-a-voz-de-deus/

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/11/08/capacidade-de-atendimento-da-rede-de-saude-do-rio-caiu-17percent-em-um-ano-aponta-estudo.ghtml

https://www.conjur.com.br/2017-out-09/juizes-ministros-discutem-nao-aplicar-reforma-trabalhista

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/05/13/politica/1557776028_131882.html

Editora Contraponto disponibiliza, gratuitamente, livro sobre como Whuan lidou com a crise do Coronavírus.

A editora Contraponto acaba de lançar, gratuitamente, em formato .PDF o livro que conta como Wuhan, onde começou a pandemia do Coronavírus, estabeleceu uma verdadeira operação de guerra para conter o vírus. O livro narra os fatos, conta histórias inspiradoras desta luta e nos prepara para o que ainda iremos enfrentar. Uma leitura fundamental nestes tempos de quarentena. Recomendamos a leitura e difusão destas informações tão importantes. O livro foi produzido pela Editora em Línguas Estrangeiras, de Beijing, e licenciada pela Contraponto.

Veja uma pequena parte do relato. Abaixo o link para se baixar o livro.

“Em 22 de janeiro, a província de Hubei lançou uma resposta de segundo
nível à emergência de saúde pública, entrando em um período crítico.
No início da manhã de 23 de janeiro, o Comando Wuhan de Prevenção
e Controle do COVID-19 emitiu o Aviso nº 1: o transporte público, incluindo
ônibus, metrô, balsa e serviços de longa distância, seria suspenso
a partir das 10:00h de 23 de janeiro de 2020. Os residentes não deveriam
deixar Wuhan por razões não essenciais. Viagens de avião e trem partindo
da cidade seriam suspensas. Estes serviços permaneceriam fechados até a
emissão de novo aviso.
Wuhan estava no olho do furacão. O surgimento repentino do vírus motivou
1,4 bilhão de chineses a entrar em uma batalha com efeito imediato.
Foi uma decisão difícil, mas resoluta. Para garantir a segurança e a saúde
das pessoas, a China cortou as ligações de Wuhan com o mundo exterior.
Ao fazê-lo, também eliminou o risco de transmitir o vírus para outras partes
do país.
Wuhan estava lacrada. Foi um dia silencioso, ainda que turbulento, na cidade.
Havia poucos carros nas ruas e apenas alguns pedestres eram vistos nelas,
usando máscaras. Na internet, “Wuhan” se tornou um dos principais termos
de pesquisa. Mensagens se sucediam, atualizando a situação na cidade.”

CFA aprova Resolução Normativa que adia vencimento das anuidades em caráter emergencial

Medida faz parte das ações que a autarquia tem adotado por conta da pandemia do coronavírus

O Brasil e o mundo sente os impactos causado pelo novo coronavírus. Para evitar a transmissão da doença, autoridades estão pedindo para as pessoas ficarem em casa. Contudo, a economia começa a dar sinais de que o impacto da pandemia será ainda maior. Sensível a esse cenário, o presidente do Conselho Federal de Administração (CFA), Mauro Kreuz, aprovou, ad referendum do Plenário da autarquia, a Resolução Normativa nº 579, que “dispõe sobre a prorrogação do vencimento das anuidades do exercício de 2020, e dá outras providências.”.

Segundo a RN, o pagamento das anuidades, que deveria ser feito até o final deste mês, agora poderá ser realizado até 30 de junho deste ano. Além disso, de acordo com a Resolução, “ficam os Conselhos Regionais de Administração autorizados a deliberar sobre a prorrogação do vencimento das parcelas decorrentes de termos de conciliação de dívida com vencimento nos meses de março, abril, maio de 2020, sem a cobrança de correção monetária ou incidência de juros e multa.”.

“Estamos sensíveis a situação que o país está vivendo. Sabemos que o novo coronavírus não mexe só com a saúde física da população, mas, sobretudo, com a saúde econômica do mundo. Com a RN, possibilitamos que as pessoas físicas e jurídicas tenham um prazo maior para se organizarem financeiramente”, diz o presidente do CFA, Mauro Kreuz.

RN nº 579 está disponível, na íntegra, no site do CFA.

Fonte: CFA

CORONAVÍRUS: SEU EGOÍSMO PODE MATAR

Foto: Victor Moriyama/Getty Images

Andrew Fishman
14 de Março de 2020, 12h30

Este texto foi publicado originalmente na newsletter do Intercept Brasil. Assine. É de graça, todos os sábados, na sua caixa de e-mails.Assine nossa newsletterConteúdo exclusivo. Direto na sua caixa de entrada.Eu topo

É UM CRIME gritar “fogo!” num teatro cheio. O resultado é criar um pânico em que pessoas inocentes – particularmente as mais vulneráveis – podem ser pisoteadas e mortas. Mas também deveria ser um crime gritar “está tudo ok, fiquem sentados e assistam à peça!” num teatro que está sendo consumido por chamas. As pessoas precisam saber do risco, levantar e caminhar com calma – mas rapidamente – para a saída.

Na pandemia de coronavírus que está se espalhando pelo mundo, estamos vendo respostas de todos os tipos. Sim, temos casos de pessoas irracionalmente empilhando papel higiênico. Mas, ao meu ver, a resposta ainda mais comum e perigosa é a negação do forte cheiro de fumaça que já podemos sentir. O teatro está, sim, em chamas.

O balanço entre pânico e inércia é difícil de acertar, pois nunca vivemos uma situação assim na era contemporânea. Mas o importante é que todo mundo reconheça: desta vez não é como nas últimas vezes. Não é dengue, nem H1N1, nem febre amarela, e precisamos estar dispostos a mudar radicalmente nossos modos de vida – e talvez até o jeito que pensamos sobre a sociedade em que vivemos. E a razão, provavelmente, não é para proteger a si mesmo, mas para ajudar a sociedade como um todo e as pessoas mais frágeis e expostas. É hora de pensar nos outros de fato.

Em momentos de crise, as fissuras sociais e o caráter de todos nós são acentuados. Vivemos em tempos de extremo capitalismo em que os Guedes, Temers e Trumps querem sucatear os serviços sociais e glorificar a privatização e o livre mercado – mas, concordando com eles ou não, o individualismo que é a base do nosso sistema socioeconômico já impregnou a consciência de todos nós. Vamos ter que repensar isso agora.

É socialmente irresponsável – uma negligência absurda – dizer e pensar “isso não vai me afetar”, “eu não vou mudar a minha vida por causa disso” ou “não faço parte de grupos de alto risco, então estou de boas”. É responsabilidade de todos levantar nossas vozes quando vemos esse tipo de discurso e corrigi-lo. Do mesmo jeito que ficar calado quando presenciamos racismo, sexismo, classismo e fascismo é compactuar com estes comportamentos, fechar os olhos para esse tipo de individualismo agora também é contribuir para sua existência.Todo mundo que tem salário, trabalho que pode ser feito remotamente, que vive em uma casa confortável e carro é privilegiado.

Um exemplo horrível disso foi relatado na coluna do Lauro Jardim sobre o primeiro caso de transmissão local do novo coronavírus no Rio de Janeiro. Um “empresário” e sua esposa foram infectados e se colocaram em quarentena no seu apartamento no em São Conrado, bairro de classe alta da zona sul. “A empregada do casal, cujo exame deu negativo, está trabalhando de avental, luvas e máscara”, revelou a coluna.

Este casal exigiu que a empregada arrisque a vida dela e de sua família para trabalhar num ambiente infectado, usando medidas de prevenção que não impedem a transmissão. Se eles próprios não estivessem doentes, você acha que aceitariam trabalhar em um ambiente cheio de pessoas infectadas? Ou isso só é aceitável para as pessoas que os servem? Se a empregada ou alguém que mora com ela estivesse doente, eles manteriam ela trabalhando? Deixariam seus filhos fazerem isso? Será que a empregada realmente pôde fazer uma escolha livre ou estava preocupada com a possibilidade de perder o emprego caso se recusasse a servir o casal doente?

Todo mundo que tem um salário, que tem uma poupança, que tem um trabalho que pode ser feito remotamente, que vive em uma casa que comporta confortavelmente seus moradores, que tem um carro para não precisar usar transporte público – essas pessoas são privilegiadas neste cenário. Não por acaso, provavelmente são os mais privilegiados na sociedade também.

Enquanto escrevo isso, 126 mil pessoas foram confirmadas com o novo coronavírus no mundo (e muito mais gente assintomática está andando nas ruas sem perceber que precisa de um teste), incluindo 151 casos no Brasil. O número por aqui vai aumentar dramaticamente nos próximos dias e a pressão no sistema de saúde também. O único método que temos para conter os estragos e as mortes é a conscientização e a pressão para que os líderes de governos, empresas e movimentos sociais façam de tudo para as pessoas ficarem em casa e reduzirem seu contato social – e isso é algo que todos nós podemos fazer.

Após o secretário de comunicação Fábio Wajngarten testar positivo para o novo coronavírus, foi muito correto que sua mulher retirasse seus filhos da escola e avisasse as outras mães do colégio. Por outro lado, foi extremamente irresponsável da parte de Bolsonaro, que viajou com Wajngarten e mais três pessoas que mostravam sintomas (como nós contamos aqui), parar em frente ao Palácio da Alvorada para apertar as mãos de apoiadores e tirar selfies com eles.

Mas, depois que a ficha caiu – quando bateu o medo de estar infectado –, Bolsonaro se submeteu a exames e fez sua live semanal no Facebook, ao lado do Ministro de Saúde, com máscaras e álcool em gel. Finalmente falou em medidas de prevenção de transmissão. Antes, o presidente havia se espelhado na negação de realidade do seu ídolo Donald Trump, chamando a reação ao novo coronavírus de “exagerada” e a pandemia de “uma fantasia”.

Mas o comportamento do Bolsonaro é o da maioria das pessoas, na verdade: ele prefere viver negando os fatos até que alguém próximo ou ele mesmo tenha contato com o vírus. O problema é que se todo mundo espera para ter contato com o vírus para tomar medidas preventivas, elas já não serão mais preventivas. Já era. Seria o equivalente a só começar a usar camisinha depois de ficar grávida.

A Organização Mundial da Saúde declarou na sexta-feira que a Europa agora é o epicentro do vírus, e não a Ásia. Isso porque a China foi muito eficaz e organizada em suas medidas de contenção, e a Coreia do Sul também reagiu rapidamente para providenciar muitos testes e identificar casos logo, antes que a doença se espalhasse ainda mais. Japão, Taiwan, Singapura, Tailândia e Hong Kong foram ainda mais preparados.

Esses países asiáticos, devemos lembrar, foram muito afetados pela Síndrome Aguda Respiratória Grave, a Sars, em 2003. Por isso, se prepararam para a próxima crise. Em comparação, europeus e americanos estão sendo extremamente lentos na tomada de medidas percebidas como “drásticas”. Os governos não queriam assustar os mercados financeiros, e os indivíduos não queriam acreditar que esse problema os envolvia. Agora, todos estão correndo atrás de novos testes e fechando escritórios, escolas, espaços públicos e, em alguns casos, até cidades inteiras. Tudo isso só depois que perceberam que estavam perdendo o controle. Parece o mesmo erro do Brasil agora.

Uma boa reportagem do BuzzFeed News nos EUA explica, com jeito de anedota, que as pessoas mais velhas, muitas vezes, são as mais propensas a negar os riscos de adoecer e a se recusar a mudar seus hábitos, mesmo que sejam também quem corre mais risco. Isso, explica a matéria, pode acontecer porque elas não querem se enxergar como “velhas” – mas é a obrigação dos mais jovens abrir os olhos delas sem assustá-las.

Então, o que você pode fazer para combater o novo coronavírus?

1. Insista que sua empresa ou escola tome medidas para prevenir o contato social;
2. Pense e exija que essas medidas também protejam as pessoas mais expostas, como seguranças, faxineiros e prestadores de serviços terceirizados;
3. Pare de ir a eventos e espaços cheios;
4. Pratique boa higiene;
5. Fique em casa por até 14 dias se você teve contato com alguém suspeito de ter coronavírus ou se você tem sintomas;
6. Só vá para o hospital se tiver sintomas graves ou tiver tido contato com alguém infectado;
7. Pare de apertar a mão e dar beijos de cumprimento nas pessoas;
8. Corrija todo mundo ao seu redor que não fizer isso.

Mas qual é o efeito de tudo isso? O vírus vai se espalhar de qualquer forma, né? Vai, mas olha esse gráfico que mostra a taxa de mortalidade pelo surto de gripe espanhola de 1918 em duas cidades dos EUA. Saint Louis imediatamente fechou todos os espaços públicos após descobrir que a doença tinha chegado. Enquanto isso, a Filadélfia decidiu realizar uma grande festa de rua. Veja a diferença das taxas de mortalidade:

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Gráfico: Proceedings of the National Academy of Sciences

O outro efeito é limitar a pressão sobre o sistema de saúde. Veja esse gráfico tuitado por Max Roser:Max Roser@MaxCRoser · Respondendo a @MaxCRoser

5/ I don’t think it will necessarily be terrible.

It is up to us right now.

We’ve been successful in making progress against terrible problems.

The way forward is to take problems seriously, study them, and do what is right.

My view:https://ourworldindata.org/a-history-of-global-living-conditions-in-5-charts …The short history of global living conditions and why it matters that we know itWe are working on Our World in Data to provide ‘Research and data to make progress against the world’s largest problems’.ourworldindata.orgMax Roser@MaxCRoser

6/ Early in an outbreak, containment is key.

Slowing the rate of infection means that the number of people who are sick at the *same time* does not exceed the capacity of the health system.

[I wish more people understood the intention of containment.]

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5.212Informações e privacidade no Twitter Ads2.113 pessoas estão falando sobre isso

Numa cidade como a Filadélfia em 1918, o sistema simplesmente não conseguiu tratar todos os casos graves, porque, além de o número ser maior, eles chegaram como uma inundação, todos ao mesmo tempo. O mesmo vale para a situação de agora: mais pessoas podem morrer desnecessariamente por falta de atendimento se muitas ficarem doentes num mesmo período.

Estamos juntos nisso, goste você ou não. Isso significa que uma manifestação em memória de Marielle precisa ser (e foi) cancelada, assim como o ato pró-Bolsonaro (que também foi), porque o vírus pode começar se espalhando nesses eventos – e, depois, ele não reconhece lado político. Agora temos um inimigo maior em comum.ANTES QUE VOCÊ SAIA… Quando Jair Bolsonaro foi eleito, sabíamos que seria preciso ampliar nossa cobertura, fazer reportagens ainda mais contundentes e financiar investigações mais profundas. Essa foi a missão que abraçamos com o objetivo de enfrentar esse período marcado por constantes ameaças à liberdade de imprensa e à democracia. Para isso, fizemos um chamado aos nossos leitores e a resposta foi imediata. Se você acompanha a cobertura do TIB, sabe o que conseguimos publicar graças à incrível generosidade de mais de 11 mil apoiadores. Sem a ajuda deles não teríamos investigado o governo ou exposto a corrupção do judiciário. Quantas práticas ilegais, injustas e violentas permaneceriam ocultas sem o trabalho dos nossos jornalistas? Este é um agradecimento à comunidade do Intercept Brasil e um convite para que você se junte a ela hoje. Seu apoio é muito importante neste momento crítico. Nós precisamos fazer ainda mais e prometemos não te decepcionar.

Fonte: The Intercept Brasil

https://theintercept.com/2020/03/14/coronavirus-salvar-vidas-bolsonaro-trump/

Água mineral em lata.

O Grupo empresarial Edson Queiroz, detentor da marca Minalba acaba de anunciar o lançamento da primeira aguá mineral em lata do Brasil.
A empresa destaca a sustentabilidade do produto em função da possibilidade de reciclagem infinita do produto com uma taxa de reciclagem da ordem de 97,3%.
A água vira da fonte de Campos do Jordão – SP com denominação de origem, e em embalagens de 310 ml.
Parabéns pela iniciativa. A saber a receptividade do mercado em função do, possível, preço mais elevado.